• Alexandre Sammogini

Walter Mendes: O mais importante foi priorizar a análise de risco




Em sua participação no Webinar Mercer “Impactos do COVID-19 e Alternativas para a Previdência Complementar”, realizado nesta quinta-feira, 2 de abril, o Diretor Presidente da Funcesp, Walter Mendes enfatizou a importância da priorização do risco para a gestão da carteira de investimentos da entidade no período pré-pandemia. Com a redução das taxas de juros, existia uma pressão para aumentar a exposição aos investimentos de risco caso a fundação quisesse bater a meta atuarial. Porém, como o nível de risco seria muito alto e os prêmios da Bolsa já não eram tão atraentes, a Direção da entidade optou por priorizar o controle de risco.


“Resolvemos não correr atrás da meta atuarial a qualquer risco. Seria um custo muito alto, ficaríamos muito acima de nossa exposição histórica e a possibilidade de perda era grande”, disse Walter. Como a entidade tinha como indexador da meta atuarial, o IGPDI, cuja volatilidade é superior ao IPCA. os desafios eram maiores. Exatamente no momento do início da queda da Bolsa doméstica a Funcesp tinha entre 17% e 18% do patrimônio alocado em renda variável. Quando houve a primeira grande oscilação da Bolsa, no início de março, a entidade vendeu cerca de 30% da carteira de ações, quando o Ibovespa ainda estava em 105 mil pontos.


Foi também vendida uma parte da carteira de NTN-Bs mais longas e foram resgatadas contas em multimercados e fundos imobiliários. Com isso, a entidade formou um caixa com liquidez suficiente para enfrentar os compromissos com pagamentos de benefícios até o ano que vem. “Com essa redução da posição em renda variável, formamos um caixa que nos deixou com tranquilidade para os próximos 12 meses”, comentou o Diretor Presidente da Funcesp.


Com um limite da política de investimentos para chegar a até 25% de renda variável, o dirigente avalia que ainda não chegou o melhor momento para voltar para a Bolsa e para ativos de maior risco. “Ainda estamos avaliando o melhor momento para voltar a aumentar a exposição em Bolsa”, disse. Walter analisa que a crise atual é mais rápida e intensa que a crise dos mercados mundiais de 2008. “O S&P e o Ibovespa atingiram níveis de volatilidade nas últimas semanas mais alto que na crise de 2008”, analisou Walter.


Investimentos no exterior - Assim como ocorreu com a Bolsa doméstica, a Funcesp também vinha reduzindo as alocações em investimentos no exterior. A entidade foi uma das pioneiras em aplicações no exterior, tendo começado a investir nesta classe de ativos há dez anos. Com a valorização das Bolsas americanas em um período muito longo, a Funcesp avaliou que era o momento de realizar o lucro desta carteira. “Vimos que não era o momento de aumentar as alocações no exterior. Então reduzimos o tamanho do portfólio”, revelou.


Apesar desta redução momentânea, o dirigente defende que as entidades fechadas tenham maior flexibilidade e limites mais amplos para investir em mercados externos. “A flexibilidade para investir no exterior é cada vez mais importante, sempre que mantidas as salvaguardas necessárias para o controle de risco”, comentou.


Déficit fiscal - Walter Mendes avalia que a crise terá maior intensidade em países que apresentam uma situação fiscal mais frágil, como é o caso do Brasil. “A política fiscal expansionista piora o déficit fiscal já existente, com sequelas estruturais importantes, principalmente quando o país não tem uma situação fiscal favorável. Esse é o problema de nosso país”, disse.


Ele comparou as medidas de ajuda para minimizar os impactos econômicos do governo brasileiro, que anunciou um pacote que representa 2,5% do PIB do país. Só para comparar, os EUA já aprovaram um primeiro pacote de 9% do PIB e deve aprovar um segundo conjunto de estímulos para a economia. Ou seja, os impactos da crise sobre a economia brasileira serão bastante severos.


Uma das consequências negativas para a economia mundial, segundo o dirigente, pode ser o aumento da pressão inflacionária, impulsionada pelo afrouxamento monetário das medidas tomadas pelos Bancos Centrais.


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