• Bruna Chieco

NDPGE pode ajudar na remuneração do caixa no curto prazo


Na semana passada, o Banco Central do Brasil anunciou uma série de medidas para prover liquidez ao sistema bancário. Entre elas, o Novo Depósito a Prazo com Garantias Especiais (NDPGE) se destaca como uma das mais robustas em termos de volume potencial para liberação de crédito. Para as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), a medida funciona bem, sem nenhum tipo de restrição legal, e pode ser uma oportunidade interessante no curto prazo, conforme avalia o consultor da Aditus, Guilherme Benites. "Em 2008, as entidades aproveitaram bastante esse tipo de produto, e se a liquidez for relevante, é interessante. O prazo não é tão longo, mas pode ser interessante para remuneração de caixa", destaca Benites. Em 2008, o potencial liberado com o DPGE foi de R$ 10 bilhões, enquanto em 2020 o potencial do NDPGE será de R$ 200 bilhões. Entre as instituições autorizadas a emitir esses papéis estão os Bancos Múltiplos, Bancos Comerciais, Bancos de Investimento, Bancos de Desenvolvimento, Caixa Econômica Federal, Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento, Sociedades de Crédito Imobiliário, Companhias Hipotecárias e Associações de Poupança e Empréstimo. O limite de garantia do produto é de R$ 20 milhões, mas o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) estuda elevar esse limite.. Guilherme Benites relata que as EFPC já estão buscando esses papéis, principalmente por terem taxas interessantes, e que o produto deve ser bastante demandado em meio ao atual cenário de crise no mercado financeiro. "Mas não dá para pensar em papéis longos. Mesmo que pague bem, não é igual a uma NTN-B. A taxa é parecida, mas são prazos diferentes", enfatiza. Movimentações – Diante da crise, algumas entidades estão fazendo ajustes em suas carteiras para tentar garantir liquidez. Contudo, o mercado está relativamente ilíquido e, por isso, há maior cautela na hora de alterar posições, conforme explica Benites. "Esse movimento foi menor do que imaginamos inicialmente, mas houve deslocamentos dentro das próprias carteiras de renda fixa para comprar NTN-Bs". Em relação à bolsa, as EFPC estão fazendo reduções pontuais, que são mais comuns entre entidades que atuam com perfis de investimentos. Segundo Benites, algumas fundações estão, inclusive, esperando o momento certo para comprar. "Certas entidades estão com necessidade de aumentar posição, e devem aproveitar para fazer esses ajustes, mas não é o momento para se fazer um grande movimento. A bolsa ainda está instável, assim como o mercado inteiro", ressalta. Na visão de Guilherme Benites, a redução da exposição em renda variável se justifica em função da demanda de participantes, mas o aumento pode ser necessário se a entidade tiver longe do alvo previsto em suas políticas. "Contudo, não é o momento para se fazer movimentos muito intensos; todos devem ser parcimoniosos. Por isso, acredito que o NDPGE é um instrumento para que entidades busquem um refúgio, mas que não resolve no longo prazo", ressalta.

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