• Debora Soares

Entrevista: O papel do líder no bem-estar do grupo de trabalho em época de COVID-19


Em entrevista exclusiva ao Blog Abrapp em Foco, Luiz Paulo Brasizza, Diretor da Volkswagen Previdência Privada - VWPP, conta a iniciativa do patrocinador da entidade voltada ao cuidado do bem-estar psicológico dos funcionários. Brasizza também destaca os desafios de adaptar o trabalho às possibilidades abertas pela MP 936/2020 e ressalta que agora, mais do que nunca, é a vez dos investimentos sustentáveis.


Gestor de uma entidade com 20 mil participantes, entre ativos e assistidos, e patrimônio de 2,9 bilhões de reais, Brasizza ressalta que os desafios à frente são enormes. “Precisamos enxergar as várias vertentes de trabalho existentes porque essa pandemia, pelo visto, deve durar mais algum tempo. Enquanto isso, não devemos simplesmente nos acostumar com a situação, mas encontrar outros caminhos para que tudo funcione perfeitamente na entidade”, destaca ele. “Esse é o admirável mundo novo: tudo é novidade. As decisões que você precisa tomar hoje seriam impensadas há quatro meses”.

Confira os principais trechos da entrevista:

Auxílio psicológico

Estamos com 100% da equipe em home office desde o início de março. E um grande desafio está relacionado às pessoas. Entender como os funcionários estão reagindo a este momento de reclusão, no qual estão se relacionando com a família, o emprego e tudo mais de forma diferente. É preciso saber como isso pode interferir, de forma positiva ou negativa, no trabalho. O impacto psicológico de passar 30, 45, 60, talvez 90 dias nessa situação de isolamento é muito grande. Atento a isso, nosso patrocinador disponibilizou alguns webinars com psicólogos para que os gestores saibam como lidar com os colaboradores nesse cenário. Foi uma iniciativa muito boa: é um canal aberto para trocarmos ideias.

Efeitos do isolamento

Muitas vezes, dentro do quadro de funcionários, há pessoas que sofrem de depressão. Algumas estão passando por um momento difícil na vida. Outras são acometidas de doenças e se sentem muito solitárias nesse processo. Há pessoas sozinhas em casa, sem a família. Uma coisa é você passar por uma quarentena na companhia de familiares; outra é ficar só, fechado em casa. Então, contar com o auxílio de um profissional de saúde, que a empresa oferece para conversarmos e fazer perguntas, tem nos ajudado muito a manter a qualidade dos trabalhos nesse período.

Mudanças nas relações trabalhistas

Outro ponto que merecerá bastante atenção é a redução de salários e jornadas de todos os funcionários da entidade, que são empregados da empresa, aplicando as flexibilidades proporcionadas pela MP 936/2020. Provavelmente vamos trabalhar seis dias a menos por mês. Então, como engajar o quadro de funcionários e manter o ritmo e a qualidade das atividades trabalhando menos dias no mês? É uma organização que deveremos fazer para desenvolver isso.

Comunicação com o participante

Em uma crise desse tipo, acredito que a oportunidade está na novidade. Tudo é novo e pode ser explorado de uma forma diferenciada. E o ponto focal disso está na comunicação com o participante. O aumento dessa interação nos dá grande possibilidade para desenvolver novos caminhos. No nosso caso, a troca de informações com os participantes está sendo realizada 100% via portal da entidade e por e-mail. A interação está muito grande. No lugar do telefone, agora a maior parte das perguntas deles nos chegam por e-mail. Então, tivemos que montar outra forma de comunicação, mais objetiva e didática, para explicar a eles o momento que o País vive e seu impacto no mercado financeiro. Foi um aprendizado para nós.

Educação financeira

Precisamos levar educação financeira ao participante de maneira mais forte. Para que ele possa entender a volatilidade de mercado e não sinta o ímpeto de mudar seu perfil de investimento nesse momento, o que pode acarretar prejuízos que levariam talvez anos para recompor seu patrimônio.

Novas discussões sobre investimentos

Outra oportunidade está em repensar a parte de investimentos da entidade.  Não fizemos alterações em nossa política de investimentos, pois ainda tem se mostrado aderente às nossas necessidades neste momento do mercado. Mas começamos a repensar, por exemplo, a questão de benchmarks. Será que a entidade precisa ter um benchmark na renda variável? Ou um benchmark na renda fixa? É isso o que o participante espera de nós?  Ou ele espera, simplesmente, buscarmos as melhores oportunidades de mercado? Então, são discussões que não tínhamos no passado, e que hoje começam a ganhar força no dia a dia.

Sustentabilidade ganha força

Quando essa pandemia terminar, acredito que vamos emergir dela com um pensamento diferente. As pessoas terão um pensamento mais voltado à natureza e ao ser humano. E aí entra a sustentabilidade. Esse tema vem numa linha crescente de trabalhos da Abrapp e as entidades buscam cada vez mais aplicar essa questão no dia a dia. É um tema complexo: os critérios ASG (ambiental, social e governança) devem ser levados em consideração não só nos investimentos, mas em outras atividades do cotidiano da EFPC. Vejo isso como tendência muito forte e este tempo é fértil para fazermos essa reflexão. Não é o momento de mudar toda uma direção de investimentos, mas é o momento em que as sementes plantadas há algum tempo começam a germinar.

Ativos mais resilientes à crise

Os ativos ligados a florestas, por exemplo, mostraram-se extremamente aderentes às nossas necessidades neste momento, pois são de longo prazo, têm uma rentabilidade acima da média do mercado e apresentam pouquíssima volatilidade nos investimentos da entidade. Investimos em florestas há mais de seis anos e isso se tornou benchmark para outras entidades do grupo. O foco são florestas sustentáveis, pois esse é outro ponto importante: investir pensando na manutenção da própria área. Desde a utilização de produtos orgânicos em todo o processo, o manuseio da floresta, a proteção dos trabalhadores rurais envolvidos e os projetos sociais que beneficiam a comunidade no entorno. Florestas de eucalipto, por exemplo, demoram 7 ou 8 anos até o corte. Nesse meio tempo, há oportunidade para a produção de mel, que pode ser comercializado no mercado doméstico e internacional e gerar renda para a comunidade local.


Hoje temos a oportunidade de mostrar para Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal e Diretoria Executiva como investimentos de longo prazo e sustentáveis podem ser benéficos para a EFPC e para o País. Então, nisso tudo a questão da sustentabilidade se destaca: é um pequeno exemplo de um leque de opções que teremos para trabalhar daqui para a frente. 

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