• Alexandre Sammogini

Entrevista: Metrus implanta medidas para aliviar participantes e patrocinador

Atualizado: Abr 29


O Instituto Metrus tem adotado algumas medidas para beneficiar os participantes e o patrocinador como maneira de aliviar os impactos da crise provocada pela pandemia de COVID-19. Em entrevista ao Blog Abrapp em Foco, Keite Bianconi, AETQ e Diretora de Previdência da entidade, fala sobre as medidas adotadas, como por exemplo, a divulgação de um mecanismo já previsto anteriormente no regulamento no plano de Contribuição Variável, de suspensão temporária das contribuições por decisão do participante.

A dirigente mostra ainda como a entidade adotou o home office para 100% de seus colaboradores, tratando de manter o atendimento normalizado aos participantes e assistidos. Ela ainda comentou o impacto da crise sobre as carteiras de investimentos dos dois planos administrados pelo Metrus. Confira a entrevista a seguir na íntegra:

Funcionamento É uma situação totalmente nova. Nunca tínhamos feito home office. Somos uma organização com funcionamento bastante tradicional. Mas desde que a OMS decretou a pandemia, tivemos de fazer uma reorganização muito rápida. Tivemos de recorrer ao aluguel emergencial de notebook para que os colaboradores pudessem acessar suas funções de casa.

Atendimento Entramos em 100% em home office, inclusive no atendimento. Estamos em operação de guerra. Não queríamos deixar os participantes sem atendimento e orientação. Deixamos nossos telefones funcionando, no sistema de call center. Todos ficaram conectados nos seus turnos e mantivemos o horário normal de atendimento. Estamos satisfeitos que não mudamos a rotina para o participante com o menor impacto possível. Para equipe mudou tudo, mas para os participantes não mudou praticamente nada.

Patrocinador Nosso principal patrocinador, o Metrô de São Paulo, teve impacto nas receitas, no fluxo de caixa. A empresa teve de tomar medidas de aspecto pessoal, com redução de pagamentos adicionais, suspensão de benefícios como vale-transporte. Percebemos que, obviamente, a vida do metroviário foi prejudicada, com queda na renda familiar. Tomamos algumas medidas para auxiliar o participantes, como por exemplo a suspensão temporária das parcelas dos empréstimos em até 6 meses. A procura foi muito grande. Aceleramos a mudança em nosso sistema para habilitar a suspensão das parcelas já a partir do mês que vem.

Suspensão de contribuição Em nosso plano de Contribuição Variável, denominado Plano 2, existe a possibilidade para o participante zerar a contribuição. Eles contribuem com 2%, 3% ou 4% e será possível zerar a contribuição por quatro meses. A opção deve ser feita até dia 15 de maio. É um mecanismo que o participante deixa de contribuir em situações de emergência. Após o período, ele volta a contribuir automaticamente. É um mecanismo já previsto anteriormente no regulamento e nós apenas lembramos o participante que existe essa possibilidade e que depende da decisão do participante. Em caso de suspensão, o patrocinador também não contribui.

Cenário atual Para nós que lidamos com a área de investimento, estamos acostumados com a volatilidade. Mas para quem não está acostumado com área de investimentos, como é o caso dos participantes, é bastante difícil explicar o que está acontecendo, porque a cota caiu tanto. É preciso esclarecer o participante que não ele perdeu dinheiro, que a queda é momentânea. No longo prazo, o impacto será ínfimo.

Impactos nos planos Nosso plano de Benefício Definido tem pequena exposição à renda variável. É um plano que não assumiu posições de muito risco, com a maior parte dos ativos de renda fixa marcados na curva. Já o plano de Contribuição Variável teve impacto maior, pois apresenta uma exposição um pouco mais relevante em renda variável.

Renda variável O plano CV tem perfis de investimentos, ultra conservador, conservador, moderado e arrojado, com saldos individuais. O retorno médio foi de 6% negativos de janeiro a março. O plano tinha fechado 2019 com 17% do patrimônio em renda variável. Atualmente, temos 12% em renda variável. Não mudamos nada em 2020, não saímos por conta da desvalorização. Temos 4% em invest no exterior do patrimônio de nossos dois planos. NO plano BD tínhamos 4% do patrimônio em renda variável e agora temos 2,93%. Não vendemos e não compramos nada.

Liquidez tranquila Pretendemos continuar assim: não vender nada com depreciação de preço. Não temos problema de liquidez. Estamos aguardando decisão do CNPC [Conselho Nacional de Previdência Complementar]. Mesmo que ocorra flexibilização das regras, com permissão para a suspensão das contribuições do patrocinador, não teremos problemas de liquidez. No momento vamos ficar parados, até para definir o que o patrocinador irá precisar. O impacto maior está ocorrendo no patrocinador que aqui na entidade.

Pior cenário Estamos trabalhando com alguns cenários. No pior cenário, vamos supor que ocorra suspensão das contribuições, com a aprovação de mudanças pelo CNPC. Neste caso, temos liquidez suficiente para até 6 meses. Sem contar ainda com vencimentos de papéis neste período. Estamos esperando que o CNPC aprove pelo menos 90 dias de suspensão de contribuições.

Acompanhamento de gestores Estamos acompanhamento os gestores de FIPs mais de perto. Intensificamos o monitoramento dos FIPs que investem em empresas voltadas para o varejo. Apesar do FIP não contar com liquidez, temos de nos antever aos movimentos. Para os investimentos no exterior, investimos em sete fundos abertos. Queremos transformar em dois fundos exclusivos sob responsabilidade de um gestor. Estamos no meio desse processo, com regulamento pronto. Vamos monitorar para concluir a mudança quando o mercado melhore.

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