• Alexandre Sammogini

Entrevista: Fundos de florestas demonstram maior resiliência na crise


Em entrevista exclusiva ao Blog Abrapp em Foco, Rogério Tatulli, Diretor Superintendente da Previ-Ericsson, fala sobre o impacto da pandemia de COVID-19 sobre as carteiras de investimentos da entidade. Um dos pontos abordados é a resiliência dos investimentos em fundos florestais que não sofreram variação negativa durante a crise. Já os investimentos no exterior ficaram praticamente empatados, pois a valorização do dólar e do euro compensou a queda das Bolsas externas.


Tatulli comenta ainda as perspectivas de recuperação econômica que, segundo ele, serão mais rápidas nos principais mercados internacionais do que no Brasil. O dirigente conta ainda como está sendo a nova rotina de funcionamento da entidade durante a quarentena. Confira a seguir a entrevista na íntegra:


Rebalanceamento das carteiras

Por enquanto, não fizemos nenhum reposicionamento relevante. Não fizemos grandes mudanças. Agora voltamos a olhar para algumas oportunidades. Na renda variável, não vamos resgatar e não vamos materializar perdas. Nosso negócio é de longo prazo e acreditamos na recuperação. Quando a Bolsa caiu, ocorreu desbalanceamento da renda variável. Então, vimos oportunidade de entrar comprando via fundo. Não temos carteira proprietária, então compramos o índice [ETF BOVA11].


Zero a zero

Os investimentos no exterior já representam 5,5% de nosso patrimônio total. A alta do dólar compensou a queda das Bolsas no exterior. Ficou praticamente zero a zero. Temos uma parte em dólar e outra, em Euro, isso atenuou a queda nas Bolsas. Alguns poucos fundos no exterior estão com hedge, pois são de renda fixa. Faz parte da diversificação e acreditamos que vai voltar um pouco. Na hora da volta ocorrerá uma recuperação.


Recuperação mais rápida lá fora

O mercado internacional vai voltar primeiro. Assim como começou primeiro lá fora, em países mais robustos, com economias fortes e mais organizadas, como Alemanha e EUA, eles vão voltar antes. Acho que será uma recuperação rápida e tranquila, em formato em “V” lá fora.


Formato “L” no Brasil

Já no mercado local brasileiro, a recuperação será mais lenta, meio em “L”. Não vejo recuperação em V nem em U, será el “L” no longo prazo. As contas públicas serão agravadas devido ao socorro às empresas e às pessoas. O balanço fiscal sofrerá deterioração, vai se aprofundar. É um assunto muito sério: a dívida pública vai ficar acima dos 80% do PIB.


Oportunidades

Vemos oportunidades com os título públicos, com uma melhor remuneração das NTN-Bs, para a imunização do passivo de longo prazo. Está certo que não vai bater a meta atuarial, mas é interessante revisitar o ALM e ver o cash flow, para a proteção do passivo de longo prazo.


Liquidez

Estamos monitorando a liquidez do fundo, do plano BD, que é o mais relevante. Temos recursos suficientes sem nenhum choque de liquidez. Temos caixa para 6 meses, com o fluxo de juros das NTN-Bs longas, que já ajuda a cobrir o pagamento dos benefícios. Tem contribuição do patrocinador. Não houve movimento do patrocinador para suspender contribuições até agora, mas pode haver no futuro.


Flexibilização das regras

Acho importante flexibilizar as regras para permitir, por exemplo, a suspensão das contribuições. Tem empresas que irão sentir mais, outras que irão sentir menos, como por exemplo, o setor de montadoras ou empresas aéreas. Já o setor de tecnologia não sentirá muito, assim como os setores químico e farmacêutico. É importante contar com a possibilidade, mas não significa utilizar o instrumento.


Crítica aos perfis

Em nosso plano CD, não verificamos nenhuma pressão por resgates, que não são permitidos, mas não há consultas, nem por portabilidade. Não temos perfil de investimentos, e isso é positivo neste momento. As pessoas às vezes não têm educação financeira suficiente, e contribuem para o efeito manada. Sou um crítico em relação ao perfil, pois ainda não há conhecimento econômico suficiente sobre o assunto. Neste sentido, os gestores tendem a tomar decisões mais técnicas e adequadas.


Resiliência dos fundos florestais

Os investimentos em fundos florestais são muito resilientes em momentos de crise. A floresta continua “aberta”, não é como o shopping que está fechado. O eucalipto está lá e continua a demanda, até maior agora, da fábrica de papel higiênico. A tese de florestas é confirmada neste momento de crise. Tem sido um ponto positivo. Temos aplicações em 3 fundos de florestas com dois gestores diferentes. Em nenhum dos casos houve quedas nas cotas.


Funcionamento home office

Estamos em funcionamento home office da equipe. Devido à cultura do patrocinador, que é uma empresa de origem sueca da área de tecnologia, já tínhamos incorporado o trabalho remoto desde 2016. desde então já vínhamos incentivando o home office, é certo que de maneira ainda tímida, cerca de 2 vezes por semana. E não utilizávamos com toda a equipe de uma só vez.


100% da equipe

Com o advento da crise da pandemia, hoje estamos com 100% do efetivo em trabalho remoto. Houve todo um investimento em tecnologia, para garantir a mobilidade dos funcionários, para que pudessem operar normalmente de suas casas. Estamos com atendimento por e-mail, via whatsapp, com um site bastante responsivo. Temos um sistema de auto atendimento pelo site e aplicativo, com diversas formas de apoio da tecnologia.


Desafios

Temos atualmente 6 colaboradores na Previ Ericsson. Todos nós entendemos que home office não é férias, temos uma grande confiança entre nós. As documentações legais já estavam formalizadas lá atrás, previstas nas relações contratuais. Consideramos inclusive a ergonometria, tempo do almoço, pausas para o café, antes de seguir a rotina de trabalho. Em uma situação de confinamento em casa, é essencial respeitar o horário de almoço. Temos horário para abrir e fechar a “loja”. Um erro que deve ser evitado é “vou almoçar mais tarde”, daí acaba alongando as tarefas do dia e reduzindo o tempo livre depois.


Outras medidas

Suspendemos todas as viagens nacionais e internacionais de nossos colaboradores e reforçamos a importância do distanciamento social. Todos devem avisar se há algum parente infectado na mesma casa. São medidas para prevenir os riscos de contágio da doença.


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