• Bruna Chieco

Entrevista: Fundações com boas práticas de governança estão mais preparadas para crise



Em meio a uma fase de adaptação de processos internos, as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC) se depararam com a necessidade de implantar rapidamente planos de contingência e adotar ferramentas para manter suas atividades de maneira remota para conter a disseminação do novo coronavírus (COVID-19). Essa adaptação pode ser traumática para empresas, no geral, que não estavam preparadas em termos de governança. Em entrevista ao Abrapp em Foco, a Coordenadora do Comitê de Governança e Riscos da Abrapp, Adriana Carvalho, fala sobre a importância de se organizar previamente para esse tipo de adversidade e como as entidades estão lidando como o atual período de crise.

Sistema adequado de governança Para Adriana, as fundações que se preocuparam em ter um sistema adequado de governança estão melhor preparadas e conseguindo transitar de uma forma muito menos traumática. "Essas boas práticas envolvem desde estrutura, boa comunicação, fluxo de processos bem desenhado, riscos mapeados, plano de continuidade de negócios e de contingência para operar fora do ambiente, e fortalecimento de processos de monitoramento dos investimentos e comportamento dos risco ao longo do tempo das aplicações", diz. "Também consideramos necessário testar o planos de contingência", continua Adriana. "Vemos o efeito de aprendizado e de melhoria e aperfeiçoamento. As fundações que tinham sistemas mais parametrizados se adaptaram mais tranquilamente". Adriana destaca ainda que as medidas adotadas pelas EFPC estão se mostrando acertadas nesse primeiro momento. "A suspensão de cobrança de empréstimo, aumento de margem para concessão, algumas entidades estão avaliando redução da taxa de juros nesse período de crise". Para ela, a governança tem uma função essencial. "Os princípios de governança que nos parecem mais evidentes nesse momento são o cumprimento do dever fiduciário, transparência, comunicação, sistemas e preocupação com a documentação de todos esses processos", ressalta. Comunicação "A comunicação com participantes é absolutamente fundamental. As fundações precisam se preocupar informar sobre como estão atuando em face da pandemia, incluindo o comportamento dos ativos de investimentos", ressalta Adriana, enfatizando que a gestão dos ativos, o acompanhamento dos riscos, e a documentação dos processos decisórios deste momento são essenciais para garantir continuidade da boa governança. "Como a fundação formaliza e documenta essas decisões que estão ocorrendo via videoconferência? As entidades precisam se preocupar em registrar os processos para evidenciar que estão fazendo o adequado acompanhamento, em especial, em relação aos ativos. Temos que fazer rodar as atividades essenciais das fundações fora de seu ambiente", complementa. Para ela, as EFPC precisam também tranquilizar os participantes e deixá-los cientes de todas as medidas que adotadas para minimizar os impactos. Em relação aos perfis de investimento, Adriana diz que as fundações têm o dever fiduciário dar aos participantes toda a informação pertinente para que eles possam tomar as melhores decisões. "Nesse momento de grande ansiedade, as entidades devem estar recebendo avaliação, perguntas, pedidos de mudança de perfil. Isso é um ponto crítico, e as fundações devem refrear esse movimento manada que as pessoas tendem a correr de perfil em perfil, podendo gerar um prejuízo geral na gestão dos ativos". Apoio da Abrapp A interlocução da Abrapp com Previc e Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) para obter suspensão e prorrogação de prazos de envio de demonstrações têm ajudado as fundações a manterem processos mais bem delineados nesse momento de incerteza. "Vivemos o período de março bem crítico, com um bloco de obrigações legais que deveríamos cumprir, e esse primeiro momento de suspensão de alguns prazos nos deu fôlego para aprovar matérias. Isso está sendo importante, e provavelmente teremos mais medidas que vão ajudar as fundações a atravessarem esse período. Esse aspecto mostra a importância da Abrapp enquanto associação representativa", ressalta Adriana. "Tudo que está sendo feito agora é em caráter excepcional", destaca. "O ponto fundamental de tudo isso é a demonstração que existe uma efetiva preocupação com a saúde financeira dos planos, que vai ser refletida na situação de cada participante, ativos e assistidos. Todas as medidas estudadas visam gerar um tempo necessário para reduzir ou abrandar os impactos negativos desse momento em que o mercado está tão volátil e turbulento", complementa Adriana.

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