• Bruna Chieco

Entrevista: Cessar contribuições geraria impacto positivo para patrocinadores e participantes


Entre as medidas emergenciais estudadas pelo Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) para aliviar patrocinadores e participantes dos planos de previdência complementar durante a crise de COVID-19 está a suspensão temporária de contribuições ordinárias e extraordinárias aos planos. A medida ainda passa por avaliação, mas é defendida por alguns especialistas do setor como uma ação de impacto positivo no curto prazo, principalmente para ajudar empresas a terem um alívio em seu caixa evitando, ainda, retirada de patrocínio. Em entrevista ao blog Abrapp em Foco, Carlos Alberto Cardoso Moreira, presidente da Sistel, defendeu essa como uma medida importante e citou ainda outros impactos da crise nas EFPC, além de abordar medidas de contingência aplicadas na própria Sistel. Leia os principais trechos a seguir: Medidas emergenciais Em relação às medidas discutidas no CNPC, Carlos Alberto destaca que uma ação de curtíssimo prazo com impacto importante para patrocinadores e participantes seria a cessação da contribuições para planos de Contribuição Definida (CD) e Contribuição Variável (CV). Segundo ele, esses são planos que sofreriam pouco com a medida. "Quando conseguimos deixar mais renda aos participantes e mais caixa para as empresas, essa é a contribuição que podemos fazer. E nesse caso, a ação é imediata", destacou. Ele disse ainda que esse seria um fator simples e facultativo, mas o CNPC poderia dar essa possibilidade para cada entidade tomar suas ações de acordo com o que acha ser correto e conveniente.  A questão do resgate ou da portabilidade também é uma medida a ser pensada, mas atende a uma parcela menor de pessoas. "Por isso reforço o posicionamento em função da contribuição ser facilitada", complementou Carlos Alberto. Segundo ele, as patrocinadoras devem tomar ações de curto prazo para tentar se recompor durante a crise, e talvez a retirada de patrocínio seja a última opção, mas a sinalização de Carlos Alberto é para que as entidades reforcem a parceria com as patrocinadoras, oferecendo auxílio necessário em um momento emergencial.  Para os déficits enfrentados pontualmente também poderia haver uma solução de interrupção das contribuições extraordinárias para participantes e patrocinadoras terem mais fôlego, destacou. "Com o tempo, elas serão retomadas, mas pontualmente poderíamos dar uma flexibilização nesse momento. Também há déficits que vão acontecer em decorrência da situação que estamos vivenciando".  Comunicação Para Carlos Alberto, comunicação é o fator mais importante no momento atual. No caso da Sistel, a ideia é dar conforto e segurança para que principalmente os assistidos se mantenham o máximo possível dentro de casa, fazendo seu distanciamento da melhor forma. "Também temos que explicar ao participante que estamos vivenciando uma questão atípica, que tem impacto nos planos, mas as estratégias, no médio e longo prazo, como deve ser a visão de um fundo de pensão, se mostram efetivas e vencedoras. No nosso caso, em março, fiz um vídeo para os participantes dando conforto que, mesmo nessa situação de pandemia, os benefícios não seriam impactados até o final da vida dos nossos participantes", destacou.  Essa comunicação simples, segundo ele, tem um fator importante: dar tranquilidade. "Além de falarmos também sobre os impactos que isso tem na política de investimentos e resultados dos planos, essa transparência é fundamental sempre, não somente na pandemia", disse. "A comunicação é importante para dar uma segurança sobre os planos, mas também reforçar que estamos juntos na questão emocional e no compartilhamento das situações. Todos os nossos diretores estão preparando vídeos, cada um na sua área, para manter uma relação com essa proximidade". Home office Desde o dia 15 de março, a estrutura da Sistel mudou para teletrabalho, e a partir do dia 18 daquele mesmo mês, 100% dos funcionários já estavam trabalhando em casa. Segundo Carlos Alberto, o processo de teletrabalho foi implementado há dois anos na entidade, mas para um limite de 20% da força de trabalho. "Isso nos ajudou a agir na situação de emergência. Todos os nossos processos passaram para o teletrabalho. Operacionalmente, estamos funcionando normalmente, inclusive com nossa central de relacionamento, que está desde o dia 15 em home office. Em março, tivemos um acréscimo de 8% no atendimento nos canais de comunicação, e funcionou bem".  Plano de saúde  A Sistel oferece ainda assistência médica aos seus participantes, e no geral notou uma demanda de pessoas querendo saber o que precisa ser feito diante da pandemia. "Nos antecipamos em relação à comunicados, e disponibilizamos para as capitais e principais cidades as campanhas de vacinação, com drive thru. Temos 90% dos nossos participantes no grupo de assistidos, ou seja, já aposentados, então somos uma das maiores entidades que tem, na sua essência, o que é um fundo de pensão, que é pagar benefício. Temos pelo menos 22 mil aposentados e pensionistas. É uma preocupação nossa que eles não saiam de casa, e oferecemos programas de saúde para fazerem consultas à distância", disse Carlos Alberto.  Entre outras ações adotadas nesse momento foi a flexibilização do envio de documentações para, por exemplo, comunicado de falecimento ou busca de pecúlio, contrato de empréstimos, etc. "Facilitamos digitalmente e num segundo momento ajustaremos em relação ao reconhecimento de firma", complemento Investimentos A entidade está em situação superavitária mesmo em um período difícil como o atual. Dentro de seus oito planos, apenas um, de contribuição definida, sofreu um impacto maior, com rentabilidade negativa em março. "Os demais planos tiveram resultados positivos, acima da meta, e superavitários. Para esses planos, temos a figura do ALM, que de fato se mostrou muito positivo quando testado no estresse. Nos planos BDs e CVs, não houve nenhuma alteração na política, apenas postergamos no plano CD a implementação da política que traçamos". Carlos Alberto reiterou sua preocupação sobre alterar políticas de investimentos em um período de crise. "Temos que ter cuidado em repensar e fazer uma nova política, pois não conhecemos o cenário que vamos enfrentar. Continuo achando precipitado esse movimento", complementou.

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