• Alexandre Sammogini

A obra de reconstrução dependerá em grande parte do capital privado


Artigo: Luís Ricardo Martins*

Há momentos cujo significado é percebido quase que de imediato, em outros a demora é maior. A crise atual, é claro, se traduz por um agudo sofrimento, como quase tudo, aliás, que ameaça a saúde e a sobrevivência, além da renda das famílias. Isso é, evidentemente, o que significa de principal a chegada do coronavírus. Mas basta colocarmos para funcionar as nossas ferramentas cognitivas, para tentarmos entender mais profundamente, e veremos que há nisso tudo algo mais além da imensa dor.

Buscar esse entendimento maior é algo que se recomenda em especial para nações como o Brasil, um país em busca de um futuro promissor e uma sociedade mais justa, que recompense o trabalho e a poupança.

Dirijo essas palavras aos dirigentes de nossas associadas por acreditar que, da mesma forma como há países aos quais se impõe reagir à crise, há segmentos que estão igualmente talhados para ajudar nessa reação. Estou certo de que esse é o caso da nossa Previdência Complementar.

Nesses dias de coronavírus fala-se muito em respostas coletivas e união como condição básica para vencer o desafio e, acredito, a nossa previdência coletiva encarna como poucos segmentos esse tal perfil. Desde o início, há mais de 40 anos, os planos patrocinados são um ótimo exemplo de obra compartilhada dentro de comunidades corporativas e, se mudanças aconteceram e hoje crescemos nos valendo de novos produtos, louvemos duplamente porque esses novos caminhos encontrados também tiram a sua força do coletivo, seja essa coletividade profissional, setorial ou mesmo familiar. Não importa, isso é o que nos faz diferentes, permite trabalhar com custos menores pela ausência do lucro e nos habilita para o futuro.

Mesmo antes da crise atores políticos e econômicos tinham como certa a inevitabilidade de uma reforma tributária. Como a redução da desigualdade é quase sempre apontada como uma de suas principais razões e a nossa previdência complementar só pode ganhar com uma sociedade brasileira menos desigual e mais próspera, digamos que o nosso sistema só pode aguardar por dias melhores.

Outro ponto sobre o qual todos parecem concordar é quanto à necessidade que o Brasil tem, como condição essencial para superar de verdade a presente crise, de reformar a sua infraestrutura. E todos se põem igualmente de acordo quanto a que para isso o País dependeria de uma poupança interna que não tem, o que o obrigaria a encontrar uma nova fonte de recursos.

Essa nova fonte, como sabemos, tem tudo para começar a acumular recursos. Atende pelo nome de poupança previdenciária e a tal reforma tributária pode muito bem fornecer o cenário onde talvez possamos vencer as resistências às nossas propostas de uma tributação que saiba premiar o poupador. Especialmente aquele capaz de não tocar em suas reservas por décadas.

Podemos dizer que essa é uma narrativa do bem, até porque o País não tem alternativa. Como o Brasil está diante de uma crise de enormes proporções no campo da saúde e só o setor público tem fôlego para protagonizar as medidas necessárias, a crise fiscal do Estado pode se transformar em colapso. Ocorrendo isso ou não, o fato inevitável é que ao final voltaremos ao diagnóstico de que a obra de reconstrução dependerá em grande parte do capital privado.

Mas, da mesma forma como não podemos deixar de aumentar os gastos públicos para conter a pandemia, é bom pensar que tampouco temos outra opção além de fomentar a poupança, especialmente a previdenciária. No momento em que a sociedade entender e lutar por isso, mais brasileiros estarão não apenas sobrevivendo, mas ganhando um futuro melhor. E a nós, dirigentes, cabe acreditar e levar adiante essa mensagem.


*Diretor Presidente da Abrapp

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